24 de nov. de 2011

Frida, Mart'nália e minhas amigas

Iniciando a saga "Sabores e Afetos", falarei sobre esses prazeres que são pintura, música e amizade.
Sou melhor com carvão que com pincel, mas existe algo de mágico nas tintas, a forma que elas grudam, escorrem, se fundem.
Vendo exposições muitas vezes penso que na vida temos que ser tinta, ter essa capacidade de grudar, de dar brilho, modificar um ambiente.
Frida fez muitos auto retratos, e as cores usadas por ela, sempre fortes, também transmitiam seu estado de espírito, mesmo o laranja mais vibrante conseguia mostrar a melancolia dela em quadros como "A coluna partida."
E é assim, sendo capaz de transmitir sentimentos, mesmo aqueles que muitos se envergonham de admitir, que é ser tinta, ser Frida, assumindo fraquezas, sendo capaz de nadar contra essa corrente de felicidade coletiva, em que chorar, sentir saudade, se arrepender, são sentimentos negados, desprezados.
Sou dessas que como as tintas escorre, meus sentimentos são o melhor que tenho em mim, a verdade das minhas convicções, e mesmo tendo sido sempre muito julgada por não ser politica, por não esconder que me magoo, por não dar conta de olhar na cara daqueles me feriram.
Mas bom mesmo é poder ser franca nesses tempos de tantas máscaras.
Mart'nália, uma das minhas cantoras prediletas, tem uma música, Benditas, que diz assim "bom é não saber o quanto a vida dura, ou se estarei aqui na primavera futura, posso brincar de eternidade agora, sem culpa nenhuma."
Delicia poder se permitir essa despreocupação, poder se entregar a essa intensidade de ter sangue correndo nas veias, sem ficar tentando fingir estar tudo lindo quando está uma droga.
Dou a cara para bater e aconselho "façam isso", sejam tinta, marquem os lugares e as pessoas por quem passar.
Amizade é um amor repleto em cores, com uma capacidade diferenciada de tolerância, de tons, mas que como todos os amores precisa ser alimentado.
Sim, esse amor que é a amizade não tem a necessidade de contato físico, de vários telefonemas no dia, entretanto precisa de afetividade, da solidez da confiança, sem esse calor morno que só as coisas boas têm, não há sentimento que resista.
Nesse ano, rompi com tudo que estava me impedindo de ser tinta, me fazendo duvidar do meu direito de acreditar ser eterna, e não foi fácil, mas me trouxe de volta algumas cores, que meus olhos já não viam fazia muito tempo...

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