7 de dez. de 2011

Boicote ao Café Benzadeus

Eu conheço as vítimas da discriminação?
Não.
Eu e minha companheira fomos tratadas da mesma maneira quando estivemos no mesmo local?
Não.
Então porque o boicote, se elas não são nem minhas conhecidas, se não aconteceu comigo, porquê?
Por que é assim que iremos derrubar essa ditadura heteronormativa que tem matado, envergonhado, sacrificado, violentado lésbicas, gays e travestis todos os dias.
É mostrando que nós não nos unimos apenas nas paradas gays e caminhadas lésbicas, mas também nas redes sociais, no dia a dia, deixando de fraquentar lugares que nos dizem (ou nos escrevem bilhetes, nesse caso) "Aqui nós respeitamos as diferenças mas por favor não se excedam."
Diferenças?
Excessos?
É disso mesmo que se trata esse bilhete, ou foi só uma forma desse estabelecimento que fica na Rua da Bahia, 1071, Centro, Belo Horizonte, chamado Benzadeus, dizer para essas mulheres que elas são bem vindas para consumir, mas não para demonstrarem seu afeto, são bem vindas desde que muito discretas, desde que elas  reservem para as quatro paredes de seus quartos a sua afetividade, mas em público, naquele público elas deveriam ser invisíveis.
A invisibilidade que nos impõem diariamente, nos deixando confinadas ao padrão "somos apenas boas amigas", sempre solteiras, sempre em cadeiras distantes, sempre aceitando essa ideia de diferença e que o nosso afeto é um excesso.
E quando falo, elas, quero dizer nós, homossexuais, nós, todos nós.
E por isso não pisarei mais nesse estabelecimento, e irei pedir a todos os meus amigos que façam o mesmo.
Não podemos ignorar e nem esquecer a gravidade desse fato.

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