Acabei de assistir ao filme Te Amarei para Sempre, do diretor Robert
Schwenthe, adaptado do livro da escritora Abdrey Niffenegger A Mulher do
Viajante no Tempo, e é com o gosto amargo da decepção que irei discorrer sobre
filme e livro.
Não vale a pena assistir ao filme, ele é chato, cansativo, não passa um terço da intensidade dessa
história de amor, os personagens são rasos, os conflitos corridos, enfim, um
fiasco.
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| O livro que tanto adoro |
O livro é narrado por Henry e Claire, não segue uma ordem cronológica, nós
viajamos no
tempo com Henry, e essa é uma das melhores partes do livro, essa viagem
que fazemos no presente, passado e futuro.
A minha primeira decepção no filme foi ver uma Claire com cabelos lisos
e castanhos avermelhados, no livro ela é ruiva, tem cabelos imensos, pesados e
encaracolados, e isso pode parecer um detalhe bobo, mas não é, porque esses
cabelos cor de fogo são uma das grandes paixões de Henry, o viajante no tempo.
E alem disso é dos detalhes que marcam as enormes diferenças que existem
entre eles, Henry é moreno, de origem humilde, perdeu a mãe tragicamente, tem
uma péssima relação com o pai e é um homem marcado por sua anomalia genética de
viajar no tempo, Claire é ruiva, rica, de família tradicional, sonhadora,
intensamente romântica e aberta para a vida.
O amor entre os dois nasceu em uma das viagens de Henry no tempo, quando
ele a encontra ainda criança nos campos da casa em que ela mora.
É um encontro fantástico, porque Henry viaja nu pelo tempo, e ela está
sozinha no campo quando ele pede para ela a toalha em que está sentada, e
aquela menina mesmo desconfiada entrega a toalha, conversa com ele, acredita
que ele seja um viajante no tempo e se encanta quando o vê desaparecer diante
de seus olhos.
Desse momento em diante Claire espera por ele, deixa roupas sobre uma
pedra para que ele vista, o alimenta e conta com Henry para que a ensine as
lições de casa.
Ela cresce tendo esse amor secreto, esse homem que é para ela segurança,
dúvidas, desejos, expectativas, um príncipe encantado as avessas dos
tradicionais contos de fadas, porque é ela, Claire, que o salva, é ela quem dá
a ele o beijo que o desperta, que o faz melhor, que dá e ele um lugar no mundo.
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| O poster do filme |
Claire não se importa em esperar por Henry, ela sente saudades, mas
nunca se revolta ou questiona esse encontro, ela o ama por tudo que sempre
representou em sua vida, porem, a mulher que vemos no filme sente um frustração
imensa, é infeliz, amarga, mimada e não tem a metade da força e magia da mulher
que descobrimos a cada página do livro.
Até mesmo o enorme desejo dela de ter um filho com ele que no livro é
forte, triste, apaixonado, doloroso (ela sofre abortos terríveis) no filme
parece ser só o capricho de uma mulher acostumada a ter tudo que quer.
O Henry do filme é só um cara inexpressivo, que "detalhe"
viaja no tempo e tenta viver um casamento normal com a mulher que ama, o Henry
do livro é um cara traumatizado, viciado, que fazia de tudo para se destruir e
não ter relações permanentes em sua vida, e que em contraponto, era
extremamente charmoso, cativante, dominava vários idiomas, era um excelente
cozinheiro, e tem em Claire sua transformação, ela o incentiva a ter amigos,
família e um motivo para voltar para casa.
No livro Henry tem uma vizinha, Kimy, que é uma amiga, uma mãe, um porto
seguro, no filme ela foi cortada.
Mark, o irmão de Claire, também não aparece no filme, e ele no livro é
uma peça chave em um dos acontecimentos mais marcantes da história.
Antes de conhecer Claire (o Henry do presente não conhece Claire, pois
ele a conhece nas suas viagens no tempo quando já é mais velho) Henry teve uma
namorada, e ela serve na história para nos mostrar o quão destrutivo ele era
antes de Claire, e que por mais que tivesse tido várias mulheres, amor,
confiança e principalmente, segurança para arriscar se envolver só com Claire.
Ela também não aparece no filme.
Eu sei que é impossível passar todos os detalhes do livro para o filme,
sei que cenas que me encantaram no livro provavelmente não serão retratadas com
fidelidade em uma adaptação para o cinema, mas a alma do livro, essa, tem de
ser respeitada, tem que constar na adaptação, senão fica sendo nada diante da
enormidade do livro.
Até mesmo as músicas citadas no livro não foram aproveitadas no filme,
uma perda imensa, porque quem sabe agora eu poderia dizer "o filme é um
lixo mas a trilha vale a pena".
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| Cena do filme quando Henry encontra com Claire criança |
Leia o livro e ignore que o filme existe, você não estará perdendo nada
agindo assim.



Me sinto sempre assim, quando assisto uma adaptação de livro. Nunca é como deveria ser, tem um gostinho de "faltou isso". Oh missão impossível transformar em realidade algo de nossas imaginação. Vou ler o livro, gostei da dica.
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