31 de jan. de 2013

A Mulher do Viajante no Tempo - Livro e Filme


Acabei de assistir ao filme Te Amarei para Sempre, do diretor Robert Schwenthe, adaptado do livro da escritora Abdrey Niffenegger A Mulher do Viajante no Tempo, e é com o gosto amargo da decepção que irei discorrer sobre filme e livro.
Não vale a pena assistir ao filme, ele é chato, cansativo,  não passa um terço da intensidade dessa história de amor, os personagens são rasos, os conflitos corridos, enfim, um fiasco.
O livro que tanto adoro
Vale muito a pena ler o livro, ele é repleto de detalhes, personagens apaixonantes e conta uma história de amor linda e não estou falando do lindo de Romeu e Julieta e tabletes de açúcar, é o lindo de opostos que aprendem a se admirar, que conversam pelo olhar, que se desejam, fazem muito sexo e  que constroem juntos uma história que tem tudo para dar errado mas dá muito certo as custas de muita vontade de ficarem juntos, mesmo que em alguns momentos seja sombria e desesperadora, é uma deliciosa história de amor e superação.
O livro é narrado por Henry e Claire, não segue uma ordem cronológica, nós viajamos no
tempo com Henry, e essa é uma das melhores partes do livro, essa viagem que fazemos no presente, passado e futuro.
A minha primeira decepção no filme foi ver uma Claire com cabelos lisos e castanhos avermelhados, no livro ela é ruiva, tem cabelos imensos, pesados e encaracolados, e isso pode parecer um detalhe bobo, mas não é, porque esses cabelos cor de fogo são uma das grandes paixões de Henry, o viajante no tempo.
E alem disso é dos detalhes que marcam as enormes diferenças que existem entre eles, Henry é moreno, de origem humilde, perdeu a mãe tragicamente, tem uma péssima relação com o pai e é um homem marcado por sua anomalia genética de viajar no tempo, Claire é ruiva, rica, de família tradicional, sonhadora, intensamente romântica e aberta para a vida.
O amor entre os dois nasceu em uma das viagens de Henry no tempo, quando ele a encontra ainda criança nos campos da casa em que ela mora.
É um encontro fantástico, porque Henry viaja nu pelo tempo, e ela está sozinha no campo quando ele pede para ela a toalha em que está sentada, e aquela menina mesmo desconfiada entrega a toalha, conversa com ele, acredita que ele seja um viajante no tempo e se encanta quando o vê desaparecer diante de seus olhos.
Desse momento em diante Claire espera por ele, deixa roupas sobre uma pedra para que ele vista, o alimenta e conta com Henry para que a ensine as lições de casa.
Ela cresce tendo esse amor secreto, esse homem que é para ela segurança, dúvidas, desejos, expectativas, um príncipe encantado as avessas dos tradicionais contos de fadas, porque é ela, Claire, que o salva, é ela quem dá a ele o beijo que o desperta, que o faz melhor, que dá e ele um lugar no mundo.
O poster do filme
Nada disso aparece no filme, essa confiança, essa parceria, esse amor que existe entre os dois, esse amor que supera o tempo e as viagens no tempo, que o faz ser o primeiro e único homem na vida dessa mulher que sabe que vive algo tão especial que não teme esperar, que não teme amar de olhos fechados.
Claire não se importa em esperar por Henry, ela sente saudades, mas nunca se revolta ou questiona esse encontro, ela o ama por tudo que sempre representou em sua vida, porem, a mulher que vemos no filme sente um frustração imensa, é infeliz, amarga, mimada e não tem a metade da força e magia da mulher que descobrimos a cada página do livro.
Até mesmo o enorme desejo dela de ter um filho com ele que no livro é forte, triste, apaixonado, doloroso (ela sofre abortos terríveis) no filme parece ser só o capricho de uma mulher acostumada a ter tudo que quer.
O Henry do filme é só um cara inexpressivo, que "detalhe" viaja no tempo e tenta viver um casamento normal com a mulher que ama, o Henry do livro é um cara traumatizado, viciado, que fazia de tudo para se destruir e não ter relações permanentes em sua vida, e que em contraponto, era extremamente charmoso, cativante, dominava vários idiomas, era um excelente cozinheiro, e tem em Claire sua transformação, ela o incentiva a ter amigos, família e um motivo para voltar para casa.
No livro Henry tem uma vizinha, Kimy, que é uma amiga, uma mãe, um porto seguro, no filme ela foi cortada.
Mark, o irmão de Claire, também não aparece no filme, e ele no livro é uma peça chave em um dos acontecimentos mais marcantes da história.
Antes de conhecer Claire (o Henry do presente não conhece Claire, pois ele a conhece nas suas viagens no tempo quando já é mais velho) Henry teve uma namorada, e ela serve na história para nos mostrar o quão destrutivo ele era antes de Claire, e que por mais que tivesse tido várias mulheres, amor, confiança e principalmente, segurança para arriscar se envolver só com Claire.
Ela também não aparece no filme.
Eu sei que é impossível passar todos os detalhes do livro para o filme, sei que cenas que me encantaram no livro provavelmente não serão retratadas com fidelidade em uma adaptação para o cinema, mas a alma do livro, essa, tem de ser respeitada, tem que constar na adaptação, senão fica sendo nada diante da enormidade do livro.
Até mesmo as músicas citadas no livro não foram aproveitadas no filme, uma perda imensa, porque quem sabe agora eu poderia dizer "o filme é um lixo mas a trilha vale a pena".
Cena do filme quando Henry encontra com Claire criança
Detestei o filme não só pelos detalhes ignorados, pelos personagens cortados, por ter mudado o sentido de várias coisas muito bacanas do livro, mas principalmente, por ter pegado a história da mulher do viajante no tempo, que é encantadora, intensa, apaixonante, dolorosa e até mesmo cruel,  e ter transformado em uma historinha qualquer para se passar sábado a tarde na televisão.
Leia o livro e ignore que o filme existe, você não estará perdendo nada agindo assim.

Um comentário:

  1. Me sinto sempre assim, quando assisto uma adaptação de livro. Nunca é como deveria ser, tem um gostinho de "faltou isso". Oh missão impossível transformar em realidade algo de nossas imaginação. Vou ler o livro, gostei da dica.

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