"Esse era o estado de suas vidas na época da harpa. Tinham ficado para trás os acasos deliciosos dela entrando enquanto ele tomava banho, e apesar das discussões, das berinjelas venenosas, e apesar das irmãs dementes e da mãe que as pariu, ele tinha ainda bastante amor para pedir a ela que o ensaboasse. Ela começou a fazê-lo com as migalhas de amor que ainda sobravam da Europa, e os dois iam se deixando trair pelas lembranças, abrandando sem querer, se querendo sem dizer, e acabam morrendo de amor no chão, besuntados de espumas fragrantes...De vez em quando, ao voltarem de uma festa louca, a saudade agachada atrás da porta os derrubava de uma patada, e então ocorria uma explosão maravilhosa da qual tudo era outra vez como antes."
Amor nos Tempos do Cólera
Gabriel García Márquez
Desse livro que é pura poesia, que tem me encantando com a sua beleza, sua poesia, a trama das suas palavras tecidas com a loucura de um amor obcecado, das delicias de um amor construído pelos desejos nascidos no dia a dia e porque não, do amor que está dentro de mim.
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