Sou uma quase incompetente para falar dos livros que gosto, Lourenço Mutarelli é mais que um escritor que tenho paixão e isso torna ainda mais difícil falar sobre esse extraordinário livro chamado O Natimorto.
Como me propus a falar nem que fosse um pouco dos livros que leio, vou tentar expressar a delícia angustiante que é ler O Natimorto.
Para começar posso dizer que ele faz um paralelo entre as fotos atrás dos maços de cigarro e as cartas do tarô de Marselha, trazendo para o personagem características muito interessantes que são seu vício, suas obsessões e a crença no sobrenatural.
O personagem principal nos carrega para seu subconsciente e nos faz embarcar nas suas frustrações e devaneios, enquanto uma cantora de voz tão pura que é impossível ouvi-la nos envolve em uma trama praticamente insana.
O desenho dos diálogos que lembram uma peça de teatro, o requinte das palavras escolhidas por Mutarelli, a dança dos personagens entre um cigarro e outro, a crescente constante no clímax dos acontecimentos e as revelações feitas a medida que a história se desenvolve, me fizeram devorar suas 136 páginas em algumas poucas horas e mal acreditar em seu final surpreendente.
Recomendo O Natimorto para quem não teme o limite entre a loucura e a total insanidade.


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