16 de mai. de 2013

Amor nos Tempos do Cólera X Essa Doce Mal

Li primeiro “Amor nos Tempos do Cólera” do Gabriel Garcia Márquez e em seguida “Esse Doce Mal” da Patrícia Highsmith.
Márquez nasceu na Colômbia, em 1927, sobre o signo de peixes, conhecido por seus romances ficcionais ou não ficcionais, Highsmith nasceu nos Estados Unidos, em 1921, sobre o signo de capricórnio, conhecida por seus thrilles policiais de suspense.
Estou fazendo toda essa introdução para dizer que entre esses dois livros tão diferentes, de autores tão distintos há uma grande semelhança, os dois têm como personagens principais homens obcecados por uma mulher que já é casada com outro.
O desenrolar da história os difere totalmente, enquanto um é extremamente detalhista com o plano de fundo da história a outra é focada no desenrolar psicológico de Dave, o homem obcecado por Anabelle em Este Doce Mal. Florentino Ariza é o personagem principal de um romance que consegue ser cruel em determinados pontos, que consegue ser pura poesia em outros e que faz de O Amor nos Tempos do Cólera um clássico.
Homens que não mediram esforços na busca por um amor idealizado, que foram capazes de ignorar a realidade, o bom senso e o respeito ao próximo em uma luta por conquistar as razões de seus afetos.
Dave é fadado a loucura, como uma excelente escritora de suspense Patrícia Highsmith construiu um homem que tinha tudo para dar certo e deu super errado perdido em sua insanidade, senti ódio dele em vários trechos, ódio da constante fuga da realidade que o transformava em um chato, descontrolado e insistente.
Florentino tem o charme dos apaixonados mas é desagradável como os obcecados, porque não tem nada pior na minha opinião puramente libriana do que gente que não segue em frente, que não supera e fica batendo na mesma tecla desafinada de um piano quebrado.
O Amor eu comprei na Bienal do Livro de BH (2012) por R$15,00, é da editora Record e a encadernação
e páginas são bem pobrinhas, porem, o preço e a leitura compensaram esses pontos.
Lendo eu simplesmente surtei com a história muito bem desenhada por Márquez, postei trechos aqui e aqui e se pudesse, teria praticamente postado todo o livro nesse meu querido blog, porque eu me apaixonei não pelos personagens (talvez um pouco por Fermina Daza e toda a sua determinação e força) mas pela narrativa deliciosa dessa obra de arte, que me arrancou suspiros, me fez querer ver o Florentino picado em vários pedaços (a insensibilidade dele diante das dores que não as próprias me dava arrepios), me fez torcer e em algum momentos ter meus olhos cheios de lágrimas.
Já o Este Doce Mal é da editora Benvirá, tem encadernação e folhas mais resistentes, eu comprei em um surto pré aniversário, nem sei quanto custou, mas não foi caro.
A narrativa dele é menos desenhada, é mais direta, deixa alguns pontos no escuro e acredito que faça isso exatamente para nos deixar amarrados em sua trama, que desvenda e cria a cada página novas situações. Talvez por ter lido na sequencia a insanidade de Dave por Anabelle não mexeu comigo como acredito que seria se não fosse eu já ter passeado por Cartagena nos braços de Florentino.
Indico Amor nos Tempos do Cólera para quem gosta de viajar nas palavras de um grande escritor.
Indico Esse Doce Mal para quem gosta de labirintos.

8 de mai. de 2013

Luana Piovani Não me Representa

Loira de olhos azuis, uma carreira mais marcada por seus escândalos que seus papéis como atriz, palavras mais propagadas nas redes sociais que em seu programa de televisão e um twitter bombástico em que solta farpa em tudo e em todos como se fosse a grande juíza da moral, bons costumes e todos esses blá, blá, blás deturpados que hoje são comuns em uma sociedade cada vez mais vazia.
Mas não é por isso que ela não me representa, mas por ser, antes de tudo, uma mulher que vende o padrão de beleza que massacra cada dia mais as que não se encaixam nele.
E é nesse momento que ela passa a não me representar (não que represente em outros), porque detesto qualquer tipo de caixa em que tentam nos colocar, porque sou contra essa ditadura da beleza (meio clichê essa expressão) que renega cabelos crespos, corpos curvilíneos, estatura mediana e mais uma infinidade de detalhes que fazem de muitas mulheres a contra mão do que é dito bonito, apesar de serem lindas de doer.
Não é por ser ela ser apresentadora do Superbonita, mas por ser
apresentadora do Superbonita e se negar a falar do que não é padrão, do que não escraviza, do que não está nas capas de revista, se nega a falar do que não dá a audiência alienada que os canais de televisão infelizmente insistem em vender, se nega a ser mulher com o que de melhor essa palavra tem para oferecer.
Não a julgo por seus escândalos, não a julgo por sua prepotência, não a julgo por julgar quem faz exatamente como ela, enfim, a personagem Luana Piovani não mexe e nem nunca mexeu comigo, até agora, quando a vejo vender a escravidão que mata, tortura e mutila várias mulheres diariamente, nesse momento, ela se torna uma inimiga e passa a não me representar como certos pastores que como ela só discursam o ódio.
Aqui texto que inspirou esse meu desabafo.

5 de mai. de 2013

14 de abr. de 2013

Polenta para dias de chuva

Sabe aquela comida gostosa, que te abraça e faz os dias de chuva serem ainda mais deliciosos?
Polenta é uma delas.
Quer saber como fazer?
Passa no Cintura Larga que você descobre

12 de abr. de 2013

Gerald Thomas e os argumentos da cultura do estupro

Para mim é como ler o discurso do Maníaco do Parque, do Maníaco do Industrial, do New Hit e de todos aqueles têm argumentos tão elaborados quanto para o que fizeram, que seja a indústria da mulher objeto, que sejam as saias curtas ou o fato de existirem. A cultura do estupro tem argumento para suas asneiras, afinal, a mulher carrega a culpa do pecado capital porque não carregaria a culpa de ter uma mão asquerosa dentro da sua saia, não é mesmo? Gerald Thomas, a opinião popular nem sempre é sensacionalista, moralista e hipócrita, você foi um puto nojento que fez na frente das câmeras, com a certeza da impunidade que o machismo te garante o que alguns ainda fazem no escuro, mas isso não o faz diferente deles.
Os argumentos da cultura do estupro