Dessa noite sempre nascia um fruto de fertilidade, em forma de um filho de luz ou de graças recebidas, se fosse uma criança ela seria considerada sagrada, e não pelo "pai" que tinha, pois isso não importava, e sim, pelo ventre que o havia concebido e carregado.
Se fossem graças, como uma boa colheita, temperaturas agradáveis, chuva, flores e frutos, eles seriam atribuídos única e exclusivamente ao prazer, isso mesmo, ao orgasmo do corpo vivo e forte de uma mulher que senhora de si se entregava ao amor por si mesma e pelo mundo que a cercava.Se fossem os dois, essa mulher era consagrada Sacerdotisa dos Mistérios.
Houve um tempo que a mãe era o que de fato importava, era a mulher e sua força geradora de magia e encantos.
Houve um tempo em que o prazer não era temido, que os corpos nus eram expostos com liberdade pois não havia ainda a inquisição dos cruéis padrões de beleza, houve um tempo em que o orgasmo era magia e não tabu.
Brindemos nesse Beltane ao mundo em que desejo um dia ver, o mundo em que a mulher será liberdade e não propriedade, um mundo em que sexo não será coisa de propaganda de cerveja e nenhuma mulher precisará temer a força do seu sexo, um mundo em que os homens são companheiros e não senhores.
Viva ao Beltane, a Deusa em sua face jovem que se tornará mãe, ao ciclo sagrado e todas as suas dores e delícias.
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