Todas as vezes que leio algum livro escrito pelo Chuck Palahniuk, tenho
a sensação de estar dentro do delírio psicótico de alguém. As cenas e
personagens construídas por ele são desprovidas de qualquer romantismo, verniz
ou encantos, é tudo muito cru, direto e quase nauseante, não há nenhuma
passagem que se possa dizer “nossa que bonito isso” é mais fácil soltar
exclamações como “que merda toda é essa?”
Snuff, que é um livro que fala dos bastidores e gravações de um filme
pornográfico, me preencheu de uma curiosidade imensa porque eu sabia que não
seria erótico e o excitante passaria longe do sexual. A história é narrada pelo
ponto de vista da produtora do filme e de 3 dos 600 atores que irão
protagonizar cenas de sexo explícito com uma única atriz, Cassie Wright.
Palavrões, posições sexuais, despudores de caráter, lembranças nada
convencionais de uma vida passada, guloseimas e muito egoísmo, essa é a aura de
Snuff, que faz com que o leitor não pense em sexo ou tenha vontade de fazer
sexo, o pensamento que nos cerca é “como alguém é capaz de ser tão idiota”, ou
“tão cruel”, ou “tão mesquinho”, ou tão qualquer outra coisa que são tão
próximas de nós que chega a ser constrangedor.
Constrangedor porque não são aqueles pensamentos e vontades que temos e
publicamos nas redes sociais, são aquelas coisas que às vezes negamos para nós
mesmos por serem vazios, patéticos e egocentristas. Chuck Palahnuik usa da
ironia para fazer denúncias do modo de vida contemporâneo, que prioriza a fama,
as máscaras e o dinheiro, ele nos apresenta suas personagens sobre o ponto de
vista psicológico, com seus traumas e desvios de conduta, com uma exatidão de
detalhes que os desnudam diante de nós, os propósitos nunca são altruístas, e é
tudo justificado por uma moral duvidosa.
O prazer no sexo é inexistente em Snuff e não por querer colocá-lo como
algo ruim, mas sim como o porta utilizada por muitas para conseguirem seus
objetivos de vida extremamente egoístas e patéticos, ao mesmo tempo em que dá
para os filmes pornográficos uma conotação quase política e revolucionária.
Outro ponto forte do livro são as curiosidades sobre filmes e atores de cinema
que são inseridos nos diálogos e memórias das personagens.
O final, é como um orgasmo, rápido e intenso.O que pode ser ruim se
levar em consideração que é um único orgasmo, ou bom, afinal, é um orgasmo. E
considerando esse livro, para mim, foi um dos capítulos mais interessantes.
Recomendo para todos que quiserem
ganhar tempo com uma obra que irá te fazer repensar conceitos, agora, se você
for puritano, é melhor escolher outra obra, e de preferência, de outro autor.

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