7 de jan. de 2013

Memórias de uma Gueixa


Terminei de ler Memórias de Uma Gueixa fazem alguns meses, entretanto, ainda trago tão vivas as passagens dessa história que me pego pensando nela como se houvessem acontecido comigo.
Alguns dirão que esse é livro sobre o amor, eu direi que é um livro antes de tudo sobre a solidão.
Chiyu é uma menina que está assistindo a morte de sua mãe, que tem um pai silencioso e uma irmã que está vivendo a própria vida.
Ela vê em um homem da sua aldeia a possibilidade de não ficar sozinha no mundo e acredita que ele a irá adotar.
Porém tem suas ilusões destruídas ao ser vendida, juntamente com sua irmã, exatamente por esse homem que acreditou ser seu salvador.
Chiyu é levada para uma casa de gueixas, sua irmã é levada para uma casa de prostituição, e o destino das duas é traçado nesse momento.
É uma história linda, envolvente, tão bem narrada por Chuiy, que passa a se chamar Sayuri ao ser feita gueixa, que é possível ver os quimonos descritos por ela, os movimentos de suas mãos durante as danças que executa, seus sentimentos são tão claros que passam a ser também de quem os está lendo.
E há ainda um detalhe, Chiyu/Sayuri tem os olhos cinzas, uma característica raríssima entre os orientais.
Eu uma feminista das mais convictas, me encantei pela arte dessas mulheres que ganhavam a vida entretendo homens e sonhando com um protetor que as irá garantir uma vida segura.
Gueixas não eram prostitutas, elas possuíram por muito tempo um valor social imenso no Japão, elas eram a manifestação do feminino, da delicadeza, da sedução, eram pagas para levar alegria e beleza para onde fossem.
O sexo era algo que fazia parte de sua vida quando tinha sua virgindade leiloada e quando, e se, conquistassem um protetor que se comprometia a cuidar dela integralmente, não apenas por uma noite.
Era uma honra ser uma gueixa, mas não era uma escolha, a grande maioria era órfã ou filha de uma gueixa, elas eram propriedade das casas que as acolheram para ensinar o oficio, caso algo desse errado, serviriam a essa casa como criadas ou seriam expulsas para viverem a margem de uma sociedade que só as aceitava enquanto interpretavam o papel de artistas da beleza.
E é dentro dessa realidade, de boneca de luxo, em que Sayuri não pode na frente dos outros sofrer, sentir fome, dizer não, se distrair, amar, fazer escolhas, é que dividimos com ela suas dores, desejos, revoltas, amor e dúvidas.
Vemos por trás da linda maquiagem e dos gestos delicados, uma mulher tão real, tão próxima de nós, que é simplesmente apaixonante.
Recomendo esse livro para todos que querem passar horas na companhia de uma gueixa, ou melhor, de uma mulher cheia de cicatrizes e por isso tão bela.
Obs: Há um filme baseado nesse livro, eu ainda não assisti, mas assim que o fizer prometo vir aqui para contar.

Um comentário:

  1. Eu já vi o filme e confesso que, mesmo sem ter lido o livre, a noção de sutileza é exatamente da mesma forma.
    Belo texto!

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