(...) Aquele problema, também não era meu, se eu levar em consideração que não era o meu nome nas intimações, mas era problema de alguém que me pediu ajuda, que tinha o descritivo do alvo tema da minha luta “mulher, pobre, lésbica...”, não tinha o mínimo sentido não ajudá-la, como cidadã, como feminista, como mulher e como alguém que acredita no poder da solidariedade.
E foi com tristeza que vi no decorrer de uma estrada muitas ditas “feministas”, defensoras das mulheres lésbicas, bissexuais, negras e blá, que receberam prêmios por sua contribuição a causa, se negando a ajudar uma companheira, dizendo serem partidárias de uma militância inteligente e equilibrada, enquanto deliberadamente ignoravam o pedido de socorro de uma mulher que precisava de apoio.
Percebi então que não adiantam os cartazes, palavras de ordem, corpos pintados e etc..., se as pessoas que os fazem não acreditam em nada do que gritam, fora apenas, é claro, as palavras de impacto e fotos de punho levantado nas redes sociais.
Aquela frase quase clichê “seja você a mudança que quer ver no mundo” é de fato mais importante que qualquer abaixo assinado, que qualquer passeata, que qualquer ato público, porque é na intimidade das nossas ações que fazemos diferença, é na coragem de dar a cara para bater por alguém real, que está sofrendo problemas reais, que precisa de nós sem máscaras, que contribuímos com a evolução que tanto desejamos.
Ainda me embrulha o estômago ao lembrar da omissão, do descaso, da covardia, do oportunismo e do cinismo de tantas que vêem na luta por igualdade apenas um degrau para ganhar dinheiro de convênios, para conseguir votos nas eleições para vereadora, para conseguir emprego em sindicatos, enfim, para fazer exatamente aquilo que tanto julgam os outros por fazerem.
Nessa estrada, aprendi que é melhor agir que gritar.
E vendo a morte desse cinegrafista percebi que estamos tão preocupados com o outro que paramos de olhar a maneira com que agimos, uma vez que acredito que aquele manifestante não tinha intenção de morte, ele apenas se perdeu na ideia de “fazer revolução”.
Como as pessoas que amarraram o menor em um poste e arrancaram sua orelha se perderam na ideia de fazer justiça. (...)
O texto integral você encontra no Elas são Doze, no site Parada Lésbica.

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