9 de jun. de 2013

Um Dia, David Nicholls (eu conto o final)

Terminei de ler "Um Dia", na verdade digo que terminei porque não dou conta de ler os últimos capítulos depois da morte da Ema, estou de luto, sinceramente abalada pelo fim dessa mulher que eu aprendi a gostar, com seu jeito sério e engraçado, com sua maneira de lutar pelo o que acredita e a determinação com que encarou os momentos complicados e felizes da sua vida.
Ema é aquele tipo de personagem que se parece com você, com sua amiga, com sua mãe, que tem características tão comuns e ao mesmo tempo tão marcantes que é impossível não se identificar.
Dexter, o amor da vida de Ema, que foi literalmente o amor dela, como homem, amigo, confidente, amante, que teve em Ema também o amor da sua vida, como mulher, amiga, confidente e amante, é um desses homens que demora a amadurecer, que não sabe como lidar com as dificuldades que enfrenta e acaba nos matando de ódio e pena durante todo o livro.
Entretanto, torcemos o tempo todo por eles.
E por isso estou aqui, perdida, sem coragem de terminar a leitura, porque para mim é impossível Dex sem Em, Em sem Dex (quem leu o livro vai entender essa minha referência).
Um colega de trabalho me criticou, disse que é só ficção, eu disse a ele que sinto muito por ele ser tão limitado, por não entender que quem ama ler sente por dentro todas as emoções que as palavras podem proporcionar, que o fato de eu estar sofrendo agora é sinal de que acabei de ler uma excelente obra, que foi companhia, conselhos, viagens e suspiros durante dias.
Não espero que quem não sente isso na pele entenda, como eu não entendo quem gosta de jogos de celular e tecnologia, como disse sabiamente um amigo meu "são paixões diferentes."
 Exato, são paixões diferentes, morro de pena de quem não tem a sua, de quem não se vê pagando caro por um livro, um celular, uma boneca ou uma caixinha de música que seja, pelo simples prazer de ter algo que realmente gosta, traz prazer e horas de encanto.
Tenho outras paixões, coisas que só quem vai a minha casa ou convive comigo percebem, pois são menos declaradas que os livros, mas me dedico a todas elas com a mesma intensidade, porque não acho perda de tempo ter sentimentos.
Estou muito sentimental, arrasada com a morte da Em.
Recomendo Um Dia de David Nicholls para quem gosta de amores reais e de sofrer bastante com o final.

5 de jun. de 2013

Nada Me Faltará e Lourenço Mutarelli

A primeira vez que ouvi falar de Lourenço Mutarelli foi na faculdade de Belas Artes enquanto estudava quadrinhos, e confesso, sempre adorei seus personagens repletos de labirintos psicológicos, os títulos (Sequelas, Confluência da Forquilha, A Soma de Tudo, e outros) e claro, as ilustrações sem preocupações com margens, métricas e sim com os tais labirintos psicológicos de seus personagens.
Mas há uma confissão terrível também a ser feita, mesmo adorando seus quadrinhos eu nunca havia lido um livro dele até meados do ano passado quando li Nada me Faltará.
Quando o livro em questão chegou nas minhas mãos a primeira coisa que me encantou foi a capa, parecia um delírio em tons de azul e roxo, os cantos arredondados que faziam as páginas lembrarem cartões.
Comecei a ler e a primeira coisa que me chamou a atenção foi que não havia descrição de personagens e locais, não havia narração, apenas falas e reticências (simbolizando silêncios), falas essas que não eram marcadas por travessão, eram falas que contavam uma história.
História de um homem, Paulo, que retorna para casa após um ano desaparecido, até aí tudo bem, é só
explicar porque ele desapareceu e acabar com o mistério, só que não é tão simples assim, Paulo não se lembra de haver desaparecido, e melhor, não tem a mínima noção de que um ano se passou.
A partir deste fato toda uma trama intrigante se desenvolve ao redor daqueles que recebem Paulo, seus amigos, colegas de trabalho, mãe, polícia e terapeuta.
Paulo não se lembra de onde esteve, não se lembra da sua esposa e filha que desapareceram junto com ele, não se lembra de coisas simples do seu trabalho, entretanto, se lembra de todo o resto de sua vida, e por isso se irrita quando percebe que as pessoas já não o tratam da mesmo forma que antes.
Alguns acreditam que Paulo fez algo grave contra sua esposa e filha, outras que ele é uma vítima e está sofrendo com o desaparecimento das duas.
Paulo diz não se importar com o fato de elas haverem desaparecido, até uma certa noite que ele... bem, não vou contar, leia o livro, vale a pena.
E a medida que os diálogos acontecem, dúvidas surgem, ficamos ansiosos em descobrir o que de fato aconteceu, certezas nos cercam, e a postura fria de Paulo diante do buraco que existe em sua história nos deixa presos em cada letra, vírgula e ponto final.
É um livro que testa nossos nervos de uma forma tão descompromissada que quando terminamos de ler (li todo o livro em duas horas)  e ficamos "será que tem segunda parte?".
Sim, tem gosto de quero mais.
Meu gato Mutarelli

16 de mai. de 2013

Amor nos Tempos do Cólera X Essa Doce Mal

Li primeiro “Amor nos Tempos do Cólera” do Gabriel Garcia Márquez e em seguida “Esse Doce Mal” da Patrícia Highsmith.
Márquez nasceu na Colômbia, em 1927, sobre o signo de peixes, conhecido por seus romances ficcionais ou não ficcionais, Highsmith nasceu nos Estados Unidos, em 1921, sobre o signo de capricórnio, conhecida por seus thrilles policiais de suspense.
Estou fazendo toda essa introdução para dizer que entre esses dois livros tão diferentes, de autores tão distintos há uma grande semelhança, os dois têm como personagens principais homens obcecados por uma mulher que já é casada com outro.
O desenrolar da história os difere totalmente, enquanto um é extremamente detalhista com o plano de fundo da história a outra é focada no desenrolar psicológico de Dave, o homem obcecado por Anabelle em Este Doce Mal. Florentino Ariza é o personagem principal de um romance que consegue ser cruel em determinados pontos, que consegue ser pura poesia em outros e que faz de O Amor nos Tempos do Cólera um clássico.
Homens que não mediram esforços na busca por um amor idealizado, que foram capazes de ignorar a realidade, o bom senso e o respeito ao próximo em uma luta por conquistar as razões de seus afetos.
Dave é fadado a loucura, como uma excelente escritora de suspense Patrícia Highsmith construiu um homem que tinha tudo para dar certo e deu super errado perdido em sua insanidade, senti ódio dele em vários trechos, ódio da constante fuga da realidade que o transformava em um chato, descontrolado e insistente.
Florentino tem o charme dos apaixonados mas é desagradável como os obcecados, porque não tem nada pior na minha opinião puramente libriana do que gente que não segue em frente, que não supera e fica batendo na mesma tecla desafinada de um piano quebrado.
O Amor eu comprei na Bienal do Livro de BH (2012) por R$15,00, é da editora Record e a encadernação
e páginas são bem pobrinhas, porem, o preço e a leitura compensaram esses pontos.
Lendo eu simplesmente surtei com a história muito bem desenhada por Márquez, postei trechos aqui e aqui e se pudesse, teria praticamente postado todo o livro nesse meu querido blog, porque eu me apaixonei não pelos personagens (talvez um pouco por Fermina Daza e toda a sua determinação e força) mas pela narrativa deliciosa dessa obra de arte, que me arrancou suspiros, me fez querer ver o Florentino picado em vários pedaços (a insensibilidade dele diante das dores que não as próprias me dava arrepios), me fez torcer e em algum momentos ter meus olhos cheios de lágrimas.
Já o Este Doce Mal é da editora Benvirá, tem encadernação e folhas mais resistentes, eu comprei em um surto pré aniversário, nem sei quanto custou, mas não foi caro.
A narrativa dele é menos desenhada, é mais direta, deixa alguns pontos no escuro e acredito que faça isso exatamente para nos deixar amarrados em sua trama, que desvenda e cria a cada página novas situações. Talvez por ter lido na sequencia a insanidade de Dave por Anabelle não mexeu comigo como acredito que seria se não fosse eu já ter passeado por Cartagena nos braços de Florentino.
Indico Amor nos Tempos do Cólera para quem gosta de viajar nas palavras de um grande escritor.
Indico Esse Doce Mal para quem gosta de labirintos.

8 de mai. de 2013

Luana Piovani Não me Representa

Loira de olhos azuis, uma carreira mais marcada por seus escândalos que seus papéis como atriz, palavras mais propagadas nas redes sociais que em seu programa de televisão e um twitter bombástico em que solta farpa em tudo e em todos como se fosse a grande juíza da moral, bons costumes e todos esses blá, blá, blás deturpados que hoje são comuns em uma sociedade cada vez mais vazia.
Mas não é por isso que ela não me representa, mas por ser, antes de tudo, uma mulher que vende o padrão de beleza que massacra cada dia mais as que não se encaixam nele.
E é nesse momento que ela passa a não me representar (não que represente em outros), porque detesto qualquer tipo de caixa em que tentam nos colocar, porque sou contra essa ditadura da beleza (meio clichê essa expressão) que renega cabelos crespos, corpos curvilíneos, estatura mediana e mais uma infinidade de detalhes que fazem de muitas mulheres a contra mão do que é dito bonito, apesar de serem lindas de doer.
Não é por ser ela ser apresentadora do Superbonita, mas por ser
apresentadora do Superbonita e se negar a falar do que não é padrão, do que não escraviza, do que não está nas capas de revista, se nega a falar do que não dá a audiência alienada que os canais de televisão infelizmente insistem em vender, se nega a ser mulher com o que de melhor essa palavra tem para oferecer.
Não a julgo por seus escândalos, não a julgo por sua prepotência, não a julgo por julgar quem faz exatamente como ela, enfim, a personagem Luana Piovani não mexe e nem nunca mexeu comigo, até agora, quando a vejo vender a escravidão que mata, tortura e mutila várias mulheres diariamente, nesse momento, ela se torna uma inimiga e passa a não me representar como certos pastores que como ela só discursam o ódio.
Aqui texto que inspirou esse meu desabafo.

5 de mai. de 2013