19 de set. de 2013

Meus prediletos

Marcelle, qual seu autor predileto? Lourenço Mutarelli e Stephen King, e por favor, não me faça ter que escolher um, porque assim serei obrigada a dizer que são também Nelson Rodrigues, Manuel Bandeira, Bruna Lombardi, Lygia Fagundes Telles e os quadrinhos da Maitena. E se isso para você não bastar terei que falar que gosto de todos que um dia me tocaram a alma, como Caio Fernando Abreu, Elvira Vigna, Quino com sua Mafalda e Mário Vargas Llosa, não satisfeita, direi que falta Gabriel Garcia Marquéz, portanto, não faça perguntas impossíveis de responder, pois já me vem a mente mais nomes, trechos e capas, como Cecília Meireles, Florbela Espanca, e todos da Editora Vagalume...

15 de ago. de 2013

Um pouco desse meu amor por livros

Sou formada em Belas Artes e pós-graduada em História da Arte, lápis sempre foi a minha maior paixão, lápis para desenhar e para escrever. Desenhava nas folhas que vinham no interior dos maços de cigarro, fazia modelos de roupas vitorianas e casinhas com a fumaça saindo da chaminé. Demorei a aprender a ler, foi uma tortura juntar as letras e formar palavras com elas, só consegui quando me disseram que era como desenhar, traços juntos criando formas. Fui alfabetizada lendo As Aventuras da Zazá, mas o primeiro livro que quis ler foi Pinóquio do Carlo Collodi, entretanto o primeiro que me marcou foi O Menino do Dedo Verde do Maurice Druon. Li vários da coleção Vaga-lume no período de escola, o Escaravelho do Diabo da Lúcia Machado de Almeida foi o que mais gostei e misturado a ele li Cristiane F. 13 anos, Drogada e Prostituída. Minhas primeiras aquisições foram biografias, a do Cazuza, Só as Mães São Felizes e de uma jovem chamada Luciana Scotti, Sem Asas ao Amanhecer.
E nessa trilha devorei Manuel Bandeira, Bruna Lombardi, Cecília Meireles, Adélia Prado, Raduan Nassar, Ligia Fagundes Teles, Nelson Rodrigues, Guimarães Rosa e a literatura brasileira se tornou uma obsessão. Só anos mais tarde que me permiti ler autores espanhóis, portugueses, franceses, americanos e ingleses como Federico Garcia Lorca, Florbela Espanca, Honoré de Balzac, Stephen King e Virginia Woolf. E por esses citados fica claro que não tenho preferências, gosto das letras, das histórias contadas, gosto da companhia envolvente de um bom livro. Posso me aventurar em literaturas nada convencionais como Zonas Úmidas da Charlotte Roche, as ditas “literaturas para garotas” da Maryan Keyes até o extraordinário Travessuras da Menina Má do Mario Vargas Llosa.
O que me importa é ter uma história para contar, e se vai me envolver como Rum: Memórias de Um Jornalista Bêbado do Conrad Thompson foi capaz de fazer, que seja bem vindo. Não baixo livros, gosto da capa, das páginas, de folhear, sentir o cheiro do papel, sou uma amante a moda antiga, apaixonada e fiel. Já amei Paulo Coelho quando mais nova, hoje percebo não ter mais paciência para a literatura que dita regras para a vida, que nos coloca todos no mesmo saco dizendo que há fórmula secreta para a felicidade, odeio pensar que somos tão tolos e limitados assim. Tenho recentemente o desejo de colecionar quadrinhos eróticos. Compro livros pelo prazer de sentir o cheiro deles, a alegria de desembrulhar o pacote e a satisfação de uma biblioteca particular, eu não compro pela moda, ou para parecer "inteligente", eu compro livros para ter a excelente companhia de deliciosas história mas, principalmente, para preencher minha vida com letras e personagens.

25 de jul. de 2013

Assumida

Tudo o que gosto eu assumo e tudo que eu não gosto também, a política da boa vizinhança fica falsa quando eu resolvo tentar aplicá-la, existem situações que eu me esforço e muito pois envolvem sentimentos maiores que a mágoa ou a vontade de manter distância que eu sinto, e por esses sentimentos eu faço esforços que chegam as vezes a ser quase insuportáveis, mas enfrento, sem necessariamente fazer papel de "olha como eu gosto disso ou de você".
Então se eu sou muito legal com alguém isso é sem interpretação, da mesma forma que se eu for agradável mas sem muita festa é também com sinceridade.
Esses teatros que as pessoas fazem ultimamente me frustram, fingir que gosta e esperar a pessoa virar para falar mal, dizer que é Atleticano mas curtir comentários de pessoas que só fazem desmerecer a história de luta desse time, dizer que adora cozinhar mas não saber a diferença entre ovo frito e omelete, que canseira dessa carência que faz as pessoas quererem ser o que não são, sentir o que não sentem e pior, fazer discursos que a vivência mostra que são apenas palavras vazias.
Não tem nada mais legal que ser quem se é e assumir isso sem medo do que irão pensar.

22 de jul. de 2013

Tendo a lua

Sinto por aqueles que fingem gostar, que inventam paixões só para estar na moda, que escondem lágrimas, que não comem o que os faz salivar por medo de engordar, sinto por quem nunca fez um carinho em um bicho de rua, que nunca ligaram para um amigo só para falar amenidades, sinto por quem nunca dormiu abraçado ao seu amor, quem nunca teve colo do vó, quem nunca perdeu noites de sono lendo aquele último capítulo do livro, sinto imensamente por quem vive para aparências das redes sociais, por quem não se importa com o outro mesmo que para isso tenha que se esquecer um pouco de si mesmo, sinto principalmente por aqueles que não se permitem experiências e sentimentos por medo dos monstros que vivem trancados em seus armários.

16 de jul. de 2013

O Natimorto, Lourenço Mutarelli

Sou uma quase incompetente para falar dos livros que gosto, Lourenço Mutarelli é mais que um escritor que tenho paixão e isso torna ainda mais difícil falar sobre esse extraordinário livro chamado O Natimorto.
Como me propus a falar nem que fosse um pouco dos livros que leio, vou tentar expressar a delícia angustiante que é ler O Natimorto.
Para começar posso dizer que ele faz um paralelo entre as fotos atrás dos maços de cigarro e as cartas do tarô de Marselha, trazendo para o personagem características muito interessantes que são seu vício, suas obsessões e a crença no sobrenatural.
O personagem principal nos carrega para seu subconsciente e nos faz embarcar nas suas frustrações e devaneios, enquanto uma cantora de voz tão pura que é impossível ouvi-la nos envolve em uma trama praticamente insana.
O desenho dos diálogos que lembram uma peça de teatro, o requinte das palavras escolhidas por Mutarelli, a dança dos personagens entre um cigarro e outro, a crescente constante no clímax dos acontecimentos e as revelações feitas a medida que a história se desenvolve, me fizeram devorar suas 136 páginas em algumas poucas horas e mal acreditar em seu final surpreendente.
Recomendo O Natimorto para quem não teme o limite entre a loucura e a total insanidade.