12 de fev. de 2014

Por menos cartazes e mais atitudes

(...) Aquele problema, também não era meu, se eu levar em consideração que não era o meu nome nas intimações, mas era problema de alguém que me pediu ajuda, que tinha o descritivo do alvo tema da minha luta “mulher, pobre, lésbica...”, não tinha o mínimo sentido não ajudá-la, como cidadã, como feminista, como mulher e como alguém que acredita no poder da solidariedade.
E foi com tristeza que vi no decorrer de uma estrada muitas ditas “feministas”, defensoras das mulheres lésbicas, bissexuais, negras e blá, que receberam prêmios por sua contribuição a causa, se negando a ajudar uma companheira, dizendo serem partidárias de uma militância inteligente e equilibrada, enquanto deliberadamente ignoravam o pedido de socorro de uma mulher que precisava de apoio.
Percebi então que não adiantam os cartazes, palavras de ordem, corpos pintados e etc..., se as pessoas que os fazem não acreditam em nada do que gritam, fora apenas, é claro, as palavras de impacto e fotos de punho levantado nas redes sociais.
Aquela frase quase clichê “seja você a mudança que quer ver no mundo” é de fato mais importante que qualquer abaixo assinado, que qualquer passeata, que qualquer ato público, porque é na intimidade das nossas ações que fazemos diferença, é na coragem de dar a cara para bater por alguém real, que está sofrendo problemas reais, que precisa de nós sem máscaras, que contribuímos com a evolução que tanto desejamos.
Ainda me embrulha o estômago ao lembrar da omissão, do descaso, da covardia, do oportunismo e do cinismo de tantas que vêem na luta por igualdade apenas um degrau para ganhar dinheiro de convênios, para conseguir votos nas eleições para vereadora, para conseguir emprego em sindicatos, enfim, para fazer exatamente aquilo que tanto julgam os outros por fazerem. Nessa estrada, aprendi que é melhor agir que gritar.
E vendo a morte desse cinegrafista percebi que estamos tão preocupados com o outro que paramos de olhar a maneira com que agimos, uma vez que acredito que aquele manifestante não tinha intenção de morte, ele apenas se perdeu na ideia de “fazer revolução”.
Como as pessoas que amarraram o menor em um poste e arrancaram sua orelha se perderam na ideia de fazer justiça. (...)
O texto integral você encontra no Elas são Doze, no site Parada Lésbica.

3 de dez. de 2013

Se Eu Fechar os Olhos Agora - Edney Silvestre

Estava passeando em uma livraria quando vi esse livro, Se Eu Fechar os Olhos Agora do Edney Silvestre, gostei do título, gostei da capa com aquela escadaria e alguém andando de bicicleta, gostei do que era descrito na orelha e decidi comprar.
Não cheguei a olhar a segunda orelha, não vi a foto do autor. Foi com surpresa que descobri que se tratava de um jornalista conhecido, que cobriu vários fatos históricos e trabalhava em uma emissora famosa.
Uma narrativa leve, envolvente, que nos leva para o interior do Brasil, no ano em que o Iuri Gagárin disse que a terra era azul.
O corpo de uma mulher é encontrado por dois garotos, garotos esses que possuem realidades distintas mas que estão unidos por uma amizade sincera e especial.
E a morte cruel dessa mulher fará com que esses garotos se envolvam em uma investigação para descobrir quem a matou.
Parece ser um livro como vários não é mesmo? Mas não é!
A inocência entrelaçada na violência sem pudor de um crime cometido com ódio, nos fazem dançar entre as brincadeiras, devaneios, descobertas, desilusões, medos, sonhos e certezas desses meninos, é quase uma poesia cada página desse livro.
Nos surpreendemos quando em um dado momento da narrativa deixamos de querer saber quem matou e sim porque matou, porque algo tão cruel foi cometido contra aquela mulher.
É um livro humano, que nos revolta, que nos arranca lágrimas e nos faz dar gargalhadas.
Indico Se Eu Fechar os Olhos Agora para quem gosta de um livro sem grandes pretensões, que tem como única intenção contar uma triste e linda história através dos olhos de dois meninos.

9 de nov. de 2013

Dualidade dos Signos e Tereza Brant

"Insisto na importância de falar, esgotar os argumentos, ouvir essas diversas histórias, é preciso dar espaço para esse leque imenso de possibilidades que é a sexualidade humana, que faz lésbicas que preferem penetração a sexo oral, que faz bissexuais que não têm a debatida “preferência por um sexo”, que faz assexuados, que faz pansexuais, que faz homens heterossexuais que adoram sexo anal, enfim, para essa liberdade de ser sem ter que carregar um rótulo, uma etiqueta ou um código de barras." 
Se gostaram, segue o link para continuarem lendo:
http://paradalesbica.com.br/2013/10/a-dualidade-nos-signos-e-tereza-brant/
E antes que muitos que não gostam da personagem Tereza Brant comecem a torcer o nariz, digo, não se trata dela e sim de tod@s nós.

16 de out. de 2013

Feliz Ano Novo - Rubem Fonseca

Feliz Ano Novo do Rubem Fonseca foi considerado um livro subversivo, um ano após o seu lançamento foi censurado no Brasil da Ditadura Militar, entretanto, já havia vendido mais de 30 mil exemplares.
A linguagem usada nesse livro é crua, erótica e grosseira. Rubem Fonseca não explora descrições de ambientes e perfis psicológicos dos seus personagens, ele é direto.
Essa obra é visceral e por isso, encantadora.
Devorei cada um dos contos que fazem esse livro desconcertante e hipnótico, eu passei por diversas sensações enquanto lia, fiquei chocada, enojada, curiosa e ainda consegui dar muitas gargalhadas.
Irei discorrer sobre os dois contos que mais me marcaram e fizeram com que eu tivesse reações quase opostas durante a sua leitura.
Corações Solitários, é a narração de um ex repórter policial que vai trabalhar na redação de um jornal voltado para o público feminino.
A forma que o conto a é construído, misturando as perguntas e respostas elaboradas pelo jornalista e a realidade, me fizeram gargalhar alto.
Dos contos esse é o mais divertido, porque nos permite relaxar diante do humor ácido que é peculiar a Rubem Fonseca.
Nele temos as dores humanas desnudadas, temos a solidão típica de seus personagens, mas o jogo de palavras feito por ele deixa tudo mais leve, se é possível falar de leveza quando o assunto é Rubem Fonseca. “Dr. Nathanael Lessa. Meu marido morreu e me deixou uma pensão muito pequena, mas o que me preocupa é estar só, aos cinqüenta e cinco anos de idade. Pobre, feia, velha e morando longe, tenho medo do que me espera. Solitária de Santa Cruz. Resposta: Grave isto em seu coração, Solitária de Santa Cruz: nem dinheiro, nem beleza, nem mocidade, nem um bom endereço dão felicidade. Quantos jovens ricos e belos se matam ou se perdem nos horrores do vício? A felicidade está dentro de nós, em nossos corações. Se formos justos e bons, encontraremos a felicidade. Seja boa, seja justa, ame o próximo como a si mesma, sorria para o tesoureiro do INPS, quando for receber a sua pensão.”
Feliz Ano Novo chegou a me deixar nauseada, a violência cruel descrita por ele, os estupros, assassinatos, a falta de remorso dos personagens deixa todo o conto com uma sensação indigesta.
Ele não é apenas a narração de um assalto, é como se os personagens estivessem se preparando para uma revolução, para tomar o mundo e fazer dele o que bem entendessem.
“Fiquei puto e dei uma dentada, arrancando o dedo dela. Enfiei tudo dentro de uma fronha. O quarto da gordinha tinha as paredes forradas de couro. A banheira era um buraco quadrado grande de mármore branco, enfiado no chão. A parede toda de espelhos. Tudo perfumado. Voltei para o quarto, empurrei a gordinha para o chão, arrumei a colcha de cetim da cama com cuidado, ela ficou lisinha, brilhando. Tirei as calças e caguei em cima da colcha. Foi um alívio, muito legal. Depois limpei o cu na colcha, botei as calças e desci.”
Recomendo Rubem Fonseca para todos que não temem fortes emoções e que são livres de preconceitos. Ele é um autor que irá te chocar e te fazer se apaixonar por ele com a mesma intensidade.

13 de out. de 2013

Termômetro

O termômetro de um casal passa pelo sexo e pelo humor, que são a capacidade de rirem juntas e de se tocarem. (papo com uma amiga que rendeu frases que valem ser compartilhadas)