3 de mai. de 2014

Libra: O Vício por apaixonar-se

"Assim ela experimentou o amor longe do romantismo do "para sempre", ela compreendeu que usar, mentir e trair são parte desse jogo desesperado por um amor que só existe nos filmes da Sessão da Tarde. Foi traindo Bianca na cama sempre desarrumada de Lili, que Camila enxergou que ela precisava resgatar a relação consigo mesma, que enquanto ela não entendesse seus limites, que enquanto ela não soubesse quais eram seus sonhos reais, enquanto ela não enfrentasse o monstro do medo de não estar sempre apaixonada e envolvida com alguma mulher, ela iria continuar se perdendo, se machucando e se tornando cada vez mais vazia. 
Só que a teoria é sempre muito fácil, quebrar correntes, deixar velhos hábitos, encarar seu rosto no espelho, essas coisas todas são uma guerra construída por pequenas batalhas diárias, batalhas essas em que é impossível vencer todas, ainda mais para uma mulher regida por Vênus, que adora o sabor de estar apaixonada, que se acostumou em sempre estar ocupada com sentimentos e seduções."
Gostou??

30 de mar. de 2014

Enimara...

...não tenho nenhuma foto nossa para ilustrar essas palavras.
Você que por pouco, porem significativo, tempo foi uma amiga querida.
Amiga essa que preencheu a caixa de correio da minha casa com cartas que cheiravam a chá de vinho quente, com uma letrinha bordada no envelope, com textos que vinham repletos em confidências e sonhos.
Cartas imensas, cheias de adesivos, de presentinhos, de uma inocência que só agora entendo que era de uma mulher que nunca deixou de ser menina, de uma menina que foi feita mulher antes da hora...
Nossas caixas de emails também viviam lotadas com fotos, vídeos, músicas e desabafos.
Foram meses muito especiais.
Lembra que assim que nos conhecemos você me pediu uma tatuagem para cobrir as estrias das duas primeiras gestações e quando, finalmente, ficou pronta a arte o seu terceiro bebê já está a caminho?
Enquanto durou foi muito forte o que tivemos, mesmo que por instantes.
Nossa amizade foi interrompida porque eu não soube lidar com um relacionamento a distância, era muita intimidade, dependência e saudades de alguém que eu nunca tinha visto.
Aprendi quando nos perdemos de um jeito tão triste, que eu precisava entender melhor meus limites, ser menos reativa e respeitar que isso de grupo, de distância, de palavras ditas apenas através de cartas e emails era algo que eu não desejava para mim, é um risco que eu não sei correr.
E essa compreensão fez de mim uma pessoa melhor.
Quando recebi a notícia da sua morte, pensei primeiro nos seus filhos, depois no abraço que nunca demos, pensei como alguém tão repleta de personalidade podia simplesmente ir embora de uma forma tão violenta e cruel.
Não consegui chorar Eni, na verdade eu te xinguei.
Você me ensinou muito, preencheu lacunas que antes eu desconhecia, me mostrou o tanto que somos frágeis, nós todas, imperfeitas, tolas, incapazes, sonhadoras, solitárias, adoráveis...
Eu já não a tinha mais na minha vida, eu já não recebia suas cartas, eu já não escrevia emails para você, nós já havíamos rompido e seguido nossas vidas, o arrependimento que senti pelos erros que cometi já havia dado lugar a compreensão das nossas diferenças.
Seguimos nossas estradas, as cartas que me escreveu foram todas rasgadas, os livros doados, os emails apagados e as lições aprendidas.
Eu não pensava mais em você e adoraria continuar não pensando se isso significasse que está viva, linda, forte, saudável, criando seus filhos, brincando com os seus gatos, lendo seus livros, escrevendo para o blog, estudando, ouvindo rock e realizando seus sonhos.
Com essas lágrimas que correm livres pelo meu rosto te confesso que tudo que desejei desde a notícia da sua partida é que a certeza que sentiu ao tirar sua vida tivesse se tornado uma dúvida, para eu não estar aqui com essa saudade das coisas que guardei no fundo da gaveta das minhas lembranças mais pessoais.
Irei pedir todos os dias aos espíritos de luz por você, para que o desespero que te fez partir seja abrandado, para que sua alma encontre consolo e que você enfim entenda o imenso valor que tem.
Enimara, cheguei a achar que eu não tinha o direito de sofrer a sua partida, entretanto defendo que mesmo que o amor tenha mudado, ou até mesmo acabado, não significa que ele não mereça ser recordado.

Siga em paz.



12 de fev. de 2014

Por menos cartazes e mais atitudes

(...) Aquele problema, também não era meu, se eu levar em consideração que não era o meu nome nas intimações, mas era problema de alguém que me pediu ajuda, que tinha o descritivo do alvo tema da minha luta “mulher, pobre, lésbica...”, não tinha o mínimo sentido não ajudá-la, como cidadã, como feminista, como mulher e como alguém que acredita no poder da solidariedade.
E foi com tristeza que vi no decorrer de uma estrada muitas ditas “feministas”, defensoras das mulheres lésbicas, bissexuais, negras e blá, que receberam prêmios por sua contribuição a causa, se negando a ajudar uma companheira, dizendo serem partidárias de uma militância inteligente e equilibrada, enquanto deliberadamente ignoravam o pedido de socorro de uma mulher que precisava de apoio.
Percebi então que não adiantam os cartazes, palavras de ordem, corpos pintados e etc..., se as pessoas que os fazem não acreditam em nada do que gritam, fora apenas, é claro, as palavras de impacto e fotos de punho levantado nas redes sociais.
Aquela frase quase clichê “seja você a mudança que quer ver no mundo” é de fato mais importante que qualquer abaixo assinado, que qualquer passeata, que qualquer ato público, porque é na intimidade das nossas ações que fazemos diferença, é na coragem de dar a cara para bater por alguém real, que está sofrendo problemas reais, que precisa de nós sem máscaras, que contribuímos com a evolução que tanto desejamos.
Ainda me embrulha o estômago ao lembrar da omissão, do descaso, da covardia, do oportunismo e do cinismo de tantas que vêem na luta por igualdade apenas um degrau para ganhar dinheiro de convênios, para conseguir votos nas eleições para vereadora, para conseguir emprego em sindicatos, enfim, para fazer exatamente aquilo que tanto julgam os outros por fazerem. Nessa estrada, aprendi que é melhor agir que gritar.
E vendo a morte desse cinegrafista percebi que estamos tão preocupados com o outro que paramos de olhar a maneira com que agimos, uma vez que acredito que aquele manifestante não tinha intenção de morte, ele apenas se perdeu na ideia de “fazer revolução”.
Como as pessoas que amarraram o menor em um poste e arrancaram sua orelha se perderam na ideia de fazer justiça. (...)
O texto integral você encontra no Elas são Doze, no site Parada Lésbica.

3 de dez. de 2013

Se Eu Fechar os Olhos Agora - Edney Silvestre

Estava passeando em uma livraria quando vi esse livro, Se Eu Fechar os Olhos Agora do Edney Silvestre, gostei do título, gostei da capa com aquela escadaria e alguém andando de bicicleta, gostei do que era descrito na orelha e decidi comprar.
Não cheguei a olhar a segunda orelha, não vi a foto do autor. Foi com surpresa que descobri que se tratava de um jornalista conhecido, que cobriu vários fatos históricos e trabalhava em uma emissora famosa.
Uma narrativa leve, envolvente, que nos leva para o interior do Brasil, no ano em que o Iuri Gagárin disse que a terra era azul.
O corpo de uma mulher é encontrado por dois garotos, garotos esses que possuem realidades distintas mas que estão unidos por uma amizade sincera e especial.
E a morte cruel dessa mulher fará com que esses garotos se envolvam em uma investigação para descobrir quem a matou.
Parece ser um livro como vários não é mesmo? Mas não é!
A inocência entrelaçada na violência sem pudor de um crime cometido com ódio, nos fazem dançar entre as brincadeiras, devaneios, descobertas, desilusões, medos, sonhos e certezas desses meninos, é quase uma poesia cada página desse livro.
Nos surpreendemos quando em um dado momento da narrativa deixamos de querer saber quem matou e sim porque matou, porque algo tão cruel foi cometido contra aquela mulher.
É um livro humano, que nos revolta, que nos arranca lágrimas e nos faz dar gargalhadas.
Indico Se Eu Fechar os Olhos Agora para quem gosta de um livro sem grandes pretensões, que tem como única intenção contar uma triste e linda história através dos olhos de dois meninos.

9 de nov. de 2013

Dualidade dos Signos e Tereza Brant

"Insisto na importância de falar, esgotar os argumentos, ouvir essas diversas histórias, é preciso dar espaço para esse leque imenso de possibilidades que é a sexualidade humana, que faz lésbicas que preferem penetração a sexo oral, que faz bissexuais que não têm a debatida “preferência por um sexo”, que faz assexuados, que faz pansexuais, que faz homens heterossexuais que adoram sexo anal, enfim, para essa liberdade de ser sem ter que carregar um rótulo, uma etiqueta ou um código de barras." 
Se gostaram, segue o link para continuarem lendo:
http://paradalesbica.com.br/2013/10/a-dualidade-nos-signos-e-tereza-brant/
E antes que muitos que não gostam da personagem Tereza Brant comecem a torcer o nariz, digo, não se trata dela e sim de tod@s nós.